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Histórias

O Lince Tobias
 
 
Era uma vez um lince que vivia na floresta.

Todas as noites ele corria. Corria. Corria.

Ele andava à procura de uma família.

Certo dia, encontrou uma mãe Águia com os seus filhotes.

– Olá! Eu não tenho família. Posso viver convosco? – perguntou o lince Tobias.

– Sim – respondeu a mãe águia.

O lince brincava com a sua nova família. Mas um dia, os filhotes da águia voaram para longe. O lince também queria voar e ir ter com eles. Subiu a uma árvore e atirou-se.

– Estou a voar – disse o lince Tobias.

– Pum! Pum!

O lince caiu no chão. Resolveu procurar uma nova família.

Certo dia, encontrou num lago três rãs.

– Olá! Eu não tenho família. Posso viver convosco? – perguntou o lince Tobias.

– Sim – responderam as rãs.

As rãs saltavam. Saltavam. O lince queria ir com elas.

 – Pum! Pum!

O lince caiu no rio. Resolveu procurar uma nova família.

Certo dia, encontrou numa quinta um gato.

– Uhmm! Tu és parecido comigo. Serás tu um lince? – perguntou o Tobias.

– Miau! Eu gosto de trepar os cortinados. Gosto de andar atrás das borboletas. E também gosto de comer ratos – disse o gato.

– Uhhh! Se calhar és um lince, como eu. Posso viver contigo?

– Sim – disse o gato.

O gato trepava um cortinado. O lince queria ir atrás dele.

– Pum! Pum!

O lince caiu no chão. Ele era tão pesado que o cortinado ficou todo rasgado. Depois veio a dona do gato e correu com o lince à vassourada.

O lince resolveu procurar uma nova família.

Andava triste. Já há muito tempo que procurava uma família. Mas nunca encontrou ninguém igual a ele.

Certo dia, estava a beber água no rio quando ouviu um barulho que lhe era familiar.

– Eu também faço este som – disse ele.

Atrás de uma grande pedra encontrou um lince como ele. Estava ferido numa pata.

– Olá! Tu és igual a mim! Já há muito tempo que ando à procura de uma família – disse o lince Tobias.

– Eu também. Agora já não estamos sozinhos. Temos a companhia um do outro – disse a lince Mancha-Longa.

– O que te aconteceu? – perguntou o lince Tobias.

– Um caçador atingiu-me na pata – disse a lince Mancha-Longa.

O lince Tobias ajudou a lince Mancha-Longa.

Passados uns tempos a pata da lince Mancha-Longa já estava boa.

Todas as noites eles corriam. Corriam. Corriam. Eles procuravam outros linces.

Esperamos que gostem!

Fonte: blog do verdinho

 

O COELHO ESPERTO

Era uma vez, num país muito distante do nosso, onde um dia, sem ninguém saber porquê, deixou de chover. Do céu não caía nem gota de água. Aos poucos, os rios, as ribeiras, os riachos, os poços e as fontes foram secando. Só numa clareira da floresta, e, sem ninguém também saber porquê, havia uma grande poça de água, que se mantinha sempre cheia.

Aos poucos, todos os animais daquela floresta, começaram a mudar a sua casa para perto da poça. No meio de todos, veio uma raposa espertalhona e um coelho rechonchudinho. A raposa pensou logo:

-Ui, que rico almoço! E nem preciso me cansar. É só ficar aqui toda refastelada junto da água, que ele vem ter comigo.

E assim fez. Montou guarda junto à poça, impedindo o coelho de beber água.

Passado alguns dias, o nosso amigo coelhinho, já estava todo, todo sequinho. E pensava lá com ele:

«-Se não morro na boca da raposa, morro de sede! Tenho de arranjar uma solução.»

Pensou… pensou… (é que quando as cabeças pensam, inventam grandes coisas) e o coelhinho descobriu mesmo uma forma de enganar a raposa.

Foi junto de uma casinha de abelhas, uma colmeia, empurrou… empurrou… e a colmeia tombou. Lá de dentro começou a sair mel.

O coelhinho rebolou-se no mel e ficou todo pegajoso. Depois foi debaixo de uma árvore, que tinha muitas folhas caídas e rebolou-se nelas. Ficou completamente mascarado.

A raposa, sempre à espreita, viu chegar aquele bicho tão estranho e ficou intrigada:

-Que bicho tão esquisito! Será bom para comer?

-Hum! Não me parece. Tem tanta folha! Eu não gosto nada de folhas. Vou lá falar com ele.

– De onde vens? – perguntou ela.

-De muito longe.

-E lá onde moras há muitos bichos como tu?

-Há, há! – e continuou a beber.

O coelhinho, quando se apanhou com a barriga bem cheia, pensou:

«-Não sei quando conseguirei cá voltar, o melhor será tomar já um banho.»

Se mal  o pensou, pior o fez. Entrou na água e começou a chapinhar mas esqueceu-se que as folhas na água ficavam moles e caíam. Foi o que aconteceu.

-Ah, seu malandro, pensavas que me enganavas? Espera que já te apanho!

Tic, tic, tic…corria o coelhinho. Tchoc, tchoc, tchoc… saltava a água na sua barriga.

Tac, tac, tac… a raposa furiosa, quase em cima dele.

Quando o coelhinho já se sentia molhado pela saliva da raposa, e ela o sabor a coelho, aparece na frente deles uma árvore velhota, com buracos no tronco. O coelho, muito rápido, entrou num buraco e subiu por dentro do tronco. A raposa ia tão convencida de que o apanhava, que nem reparou no tamanho do buraco. Enfiou-se por ali a dentro e ficou presa, não entrava nem saía.O nosso amiguinho, que espreitava encarrapitado no tronco, ao vê-la naquela situação, saltou para o chão, dirigiu-se à raposa que esperneava e deu-lhe uma valente dentada no rabo, enquanto dizia:

-Toma, bem feito, que é para me deixares em paz! A água na terra deve ser para todos.

A raposa só no outro dia, e depois de muito puxar, conseguiu sair mas estava toda arranhada. Ficou-lhe de lição e nunca mais correu atrás do coelhinho.

Bendito e louvado,  está o conto acabado.

Fonte: http://web.educom.pt

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